sábado, 23 de março de 2013

Os Gravadores Multipista Sérgio Izecksohn



Os Gravadores Multipista  
Sérgio Izecksohn
Há poucas décadas, a gravação de um disco era feita diretamente para a fita master, gravando-se músicos e cantores todos ao mesmo tempo. Se houvesse um erro por parte de qualquer um deles, todo o trabalho era refeito. O lançamento dos gravadores multipista permitiu uma grande evolução nas técnicas de gravação. Os estúdios dispõem hoje de dois tipos de gravadores, multipista e estéreo, o primeiro para a gravação em si e o segundo para a mixagem. Cada tipo apresenta diversos formatos, para gravação analógica ou digital.
 
O gravador multitrack, multipista ou multicanais, registra os sinais sonoros de fontes acústicas, elétricas e eletrônicas na primeira fase de uma gravação. Há modelos analógicos, de fita magnética cassete ou de rolo, e os digitais, de fita de vídeo, disco rígido ou Mini-Disk, com quantidade variada de pistas de gravação ("tracks").

Gravadores analógicos. Os gravadores de rolo são o padrão original da gravação multipista. Utilizam fitas de 1/4, 1/2, 1 ou 2 polegadas, em 4, 8, 16, ou 24 pistas. Os rolos de 8 pistas com fita de 1/4, das marcas Fostex e Tascam eram muito encontrados em home studios até o lançamento dos gravadores digitais em fita de vídeo. Gravadores cassete de 4, 6 ou 8 pistas, os porta-estúdios, da Tascam, Fostex e Yamaha, estão entre as causas da súbita popularização dos estúdios pessoais em quase todo o planeta. Vêm com uma pequena mesa de som e um filtro de ruídos, e custam em torno de 500 dólares.

Gravadores digitais utilizam fitas de vídeo em 8 pistas, expansíveis até 128, como o Alesis ADAT-XT (fita S-VHS) e os Tascam DA-88 e DA-38 (fita Hi-8), Mini-Disk (MD) em 4 pistas (Tascam, Yamaha e Sony) ou disco rígido (HD), em hardware (Roland, E-Mu) ou via computador. Enquanto a fita permite o livre trânsito do material gravado entre vários estúdios, a gravação em HD ou MD ganha poderosos recursos de edição. Os programas de computador (para Mac e PC) controlam sistemas de quatro ou oito pistas, em geral, utilizando hard disks de mais de um gigabyte de memória. Os mais usados são o Pro-Tools, da Digidesign (que inclui os periféricos‚ como interface de áudio etc.), o Sonic Solutions , ambos para o MacIntosh, e o Session 8 (Digidesign) para o PC (Windows). Recentemente, os seqüenciadores MIDI vêm implementando a gravação de áudio em HD através das placas ou interfaces de som. Os mais comuns são o Cakewalk Pro Audio (PC), o Studio Vision, o Digital Performer (Mac), o Cubase Audio e o Logic Audio (para as 2 plataformas).

Pistas e canais são termos usados de forma genérica e confusa para gravadores, mesas, MIDI e seqüenciadores. Cabe aqui uma distinção: canal ("channel") é a rota de um sinal de entrada ou saída, seja de áudio em uma mesa de som, seja de informações MIDI sendo transmitidas ou recebidas por um instrumento ou computador; pista ou trilha ("track") é a faixa de uma fita onde um sinal é gravado. Por exemplo, a fita cassete estéreo é gravada em duas pistas (direita e esquerda) no lado A e mais duas no lado B. Os seqüenciadores, inspirados nos gravadores, têm seus setores de "gravação" igualmente denominados "pistas" .O mesmo ocorre com gravadores de HD. Nada impede, pois, que enderecemos vários canais de uma mesa direto para uma única pista do gravador, ou seja, que gravemos várias fontes, através de vários canais da mesa, numa única pista.

Diferenças entre estéreo e multipista. O gravador multipista difere do estéreo nos modos de gravação e reprodução. Comparado a um cassete multipista, o deck cassete stereo tem quatro pistas de gravação, que correspondem aos canais esquerdo e direito de cada lado ("A" ou "B") da fita. O cabeçote atua sobre duas pistas, os dois canais stereo daquele lado. Virando-se a fita, gravam-se ou reproduzem-se as duas pistas do outro lado. O gravador multipista, por seu turno, utiliza todas as pistas de uma só vez. Não há lado "A" ou "B", mas um único lado com 4 ou 8 pistas, cada uma delas sendo gravada ou reproduzida independentemente. Cada pista tem seu sinal enviado a um diferente canal da mesa de som, onde só então o sinal é posicionado no campo auditivo stereo (direito/esquerdo) via controle de pan.

Canais de entrada e de monitoração em uma gravação exigem atenção. Os gravadores multipista têm canais de entrada (inputs) correspondentes às pistas de gravação e canais de saída (outputs) para monitoração e mixagem. O input recebe o sinal, proveniente da fonte sonora através da mesa de som, e o envia para o cabeçote de gravação. O output envia o sinal, da cabeça reprodutora, de volta à mesa de som, para ser monitorado e processado num segundo canal. Para termos maior liberdade na mixagem, o procedimento usual é gravar o sinal seco, não tratado acusticamente nem equalizado (timbre "flat"), nivelando-se os canais de entrada da mesa e do gravador, de  modo que os VUs ou os LEDs de ambos atinjam o pico entre zero e +3 dB (decibéis), para otimizar a relação sinal/ruído. Nos gravadores digitais, o nível de gravação não pode ultrapassar zero dB. Monitorando-se a "volta" (o canal da mesa onde se liga o output do gravador) com o processamento desejado na hora de gravar, esse processamento não interfere na gravação flat, devendo ser refeito na mixagem e sempre que se desejar. Há exceções, em que se opta por gravar o sinal já processado, principalmente da guitarra.

Filtros. Nos gravadores analógicos, devemos usar sempre o filtro de ruídos, dbx ou Dolby, desnecessários nos modelos digitais. Os gravadores em HD e MD, com suas peculiaridades, serão matéria de um outro artigo.

A escolha de um gravador multipista leva em conta a qualidade do som mais a vocação e o orçamento do estúdio.


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